Estudo anatomoclínico do carcinoma de Paget da mama
Palavras-chave:
Carcinoma, Doença de Paget da mama, Carcinoma de Paget, Complexo areolopapilarResumo
0 objetivo deste trabalho foi estudar os múltiplos aspectos do carcinoma de Paget da mama.
Patologia especial e rara, foi abordada dos pontos de vista clínico, anatomopatológico e terapêutico,
chamando a atenção dos oncologistas. Foram estudados retrospectivamente 98 pacientes no período
de janeiro de 1980 a dezembro de 1998. Avaliamos incidência, idade, estadiamento clínico, diagnóstico, anatomia patológica e tratamento. Dos 6.303 casos de câncer de mama tratados, a incidência do
carcinoma de Paget foi de 1,55%, sendo 97 do sexo feminino e um do sexo masculino. A idade variou
entre 20 e 90 anos, com média de 56,9 anos; o pico mais alto de freqüência foi observado na faixa
etária de 50 a 60 anos (32,6%). O estadiamento clínico adotado foi baseado no sistema TNM, de
acordo com a presença ou a ausência de lesão cutânea e com o tamanho do tumor quando presente. O diagnóstico foi sempre feito através de biópsia das lesões do complexo areolomamilar. A célula de
Paget é descrita como célula grande de origem glandular, citoplasma abundante, vacuolizado, desçorado e pálido; o núcleo é grande, vesicular, hipercromático, proeminente e irregular em forma e
tamanho, com variável número de mitoses, achados que evidenciam o caráter maligno dessas células.
Dos 98 casos estudados, 77 (78,57%) evidenciavam a doença e 21 pacientes (21,42%) eram portadoras de carcinoma de Paget subclínico. Apresentavam somente lesão cutânea no complexo areolomamilar 31 casos (31,63%) e 67 (68,37%) apresentavam tumor palpável. A metástase axilar foi
observada em dois casos (2,04%) no grupo que apresentava só lesão cutânea. No grupo com tumor,
foi observada em 53,73% dos casos. Quanto ao tratamento, a cirurgia é a melhor terapêutica, sendo
a mastectomia do tipo Patey-Merola a preferida pela maioria dos autores. Radioterapia, quimioterapia
e hormonoterapia são utilizadas como tratamento complementar, quando a opção é a cirurgia conservadora e nos casos avançados. A extensão da cirurgia depende de cada situação clínica e estadiamento,
sendo a presença ou a ausência de tumor palpável o parâmetro discriminador. O carcinoma de Paget
da mama, embora de baixa incidência, possui grande importância na oncologia mamária. Apesar da
exuberância dos sinais clínicos, há inaceitável retardamento no diagnóstico. A maioria das lesões está
sempre associada ao carcinoma ductal infiltrativo.
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